sábado, 26 de outubro de 2013

O Tribunal Celestial

Durante as suas explicações sobre o período das "70 semanas"(a), o anjo Gabriel citou a inauguração do ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial, que ocorreu com a unção do "santo dos santos".



O santuário terrestre, réplica do santuário celestial (Êxodo 25:8-9;Hebreus 8:1-2; Hebreus 9:11 e 24), foi ungido com óleo santo para que fosse consagrado para os seus serviços (Levítico 8:10-11). E o santuário celestial também deveria ser consagrado para o ministério intercessório de Jesus. Isto é revelado por Gabriel ao dizer: "para ungir o santo dos santos" (Daniel 9:24 BJ), ou, "ungir o santíssimo" (Daniel 9:24 NVI).

Com Sua ascensão, pouco tempo depois de Sua ressurreição, Jesus iniciou(b) Seu ministério como intercessor no santuário celeste.1 "A ida de Cristo ao lugar santíssimo como nosso sumo sacerdote para purificação do santuário a que se faz referência em Daniel 8:14; a vinda do Filho do homem ao Ancião de Dias, conforme se acha apresentada em Daniel 7:13; e a vinda do Senhor a Seu templo, predita por Malaquias 3:1, são descrições do mesmo acontecimento."2

"De fato, segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão. Portanto, era necessário que as cópias das coisas que estão nos céus fossem purificadas com esses sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios superiores." (Hebreus 9:22-23 NVI). Durante a antiga aliança, as transgressões do povo de Deus eram pela fé transferidos simbolicamente para a oferta pelo pecado e então transportadas para o santuário terrestre (Hebreus 9:9-10 cf. Levítico 4:1-3, Levítico 16:15-16), mas, sob o novo concerto, os pecados confessados são pela fé colocados sobre Cristo pelos méritos de Seu precioso sangue (Hebreus 10:19-22; Romanos 3:23-26).3

E, com o mesmo objetivo que o dia da Expiação(c) era realizado para remover os pecados do santuário terrestre (Levítico capítulo 16), o santuário celestial é purificado pela remoção final de todos os pecados registrados nos livros celestiais (Daniel 7:9-10). Mas antes que ocorra a limpeza desses registros, eles serão examinados a fim de se determinar quem, através de arrependimento e fé em Cristo(d), está apto a entrar em Seu reino eterno. "A purificação do santuário, portanto, envolve uma obra de juízo investigativo. Isto ocorre antes da vinda de Cristo para resgatar Seu povo, pois quando vier, Sua recompensa estará com Ele para dar a cada um segundo as suas obras (Apocalipse 22:12)."4 Em essência, o dia da Expiação é um dia de julgamento.5

Todos aqueles que verdadeiramente se arrependeram e pela fé suplicaram o sangue do sacrifício expiatório de Cristo, terão assegurado o perdão. Quando seus nomes forem chamados a julgamento e se constatar que eles estão revestidos pelo manto da justiça de Cristo(e), seus pecados serão apagados e eles serão considerados dignos da vida eterna.6 "Aquele que vencer", disse Jesus, "será assim, vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus anjos." (Apocalipse 3:5 RA cf. Êxodo 32:33).

Na antiga aliança(f), somente os que tinham vindo perante Deus com confissão e arrependimento, e cujas transgressões eram transferidas para o santuário através do sangue da oferta pelo pecado, participavam da cerimônia do dia da Expiação (Levítico 23:26-29). Semelhantemente, hoje, durante o juízo investigativo (o grande dia da Expiação), os únicos casos a serem considerados são daqueles que manifestam arrependimento por seus pecados e depositam fé no Cordeiro de Deus (João 1:29). O julgamento dos ímpios constitui obra distinta, e ocorre em ocasião posterior. Quanto a isso o apóstolo Pedro afirma:

"Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador?" (I Pedro 4:17-18 RA).

O juízo investigativo descrito por Pedro é destinado àqueles que professam serem seguidores de Cristo, e visa julgar se são dignos de terem seus nomes escritos no livro da Vida, pois, de acordo com Jesus: "Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de Meu Pai que está nos céus. Muitos Me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não foi em Teu nome que profetizamos e em Teu nome que expulsamos demônios e em Teu nome que fizemos muitos milagres?' Então Eu lhes declararei: 'Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade'(g)." (Mateus 7:21-23 BJ).

Os demais que não têm a Jesus como Salvador já escolheram seus destinos, para estes, destina-se a seguinte mensagem: "'Eu virei a vocês trazendo juízo. Sem demora testemunharei contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente e contra aqueles que exploram os trabalhadores em seus salários, que oprimem os órfãos e as viúvas e privam os estrangeiros dos seus direitos, e não têm respeito por Mim', diz o Senhor dos Exércitos." (Malaquias 3:5 NVI). Aos que recusaram a salvação oferecida por Deus, restará apenas a sentença final descrita em Apocalipse 20:11-15 (cf. Jeremias 6:16).

"No juízo final, a posição, a classe, ou a riqueza não alterarão por um fio de cabelo, sequer, o caso de ninguém. Pelo Deus que tudo vê, serão os homens julgados segundo o que são na pureza, nobreza e amor a Cristo."7

Os livros do tribunal celestial

"O tribunal iniciou o julgamento, e os livros foram abertos." (Daniel 7:10 NVI). Os livros de registros no Céu, nos quais estão relatados os nomes e ações dos homens, conduzem a decisão do juízo. "Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más." (Eclesiastes 12:14 RA). "Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, delas darão conta no dia do Juízo; porque pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado." (Mateus 12:36-37 RA). Os propósitos e intuitos secretos aparecem no infalível registro; pois Deus "trará à luz o que está oculto nas trevas e manifestará as intenções dos corações." (I Coríntios 4:5 NVI cf. Hebreus 4:12-13).

A obra de cada homem passa em revista perante Deus, tanto os registros de fidelidade quanto de infidelidade. Ao lado de cada nome, nos livros do Céu, estão escritos com exatidão toda palavra inconveniente, todo ato egoísta, todo dever não cumprido e todo pecado secreto; juntamente com toda hipocrisia dissimulada. Advertências enviadas pelo Céu que foram negligenciadas, momentos desperdiçados, oportunidades não aproveitadas, influência exercida para o bem ou para o mal, juntamente com seus resultados de vasto alcance, tudo é fielmente registrado.


Por sua vez, o livro da Vida contém os nomes daqueles que estão em comunhão com Deus e ao Seu serviço. Jesus disse a Seus discípulos: "(...) alegrai-vos, antes, porque vossos nomes estão inscritos nos céus." (Lucas 10:20 BJ). Paulo fala de seus fiéis cooperadores, "cujos nomes estão no livro da Vida" (Filipenses 4:3 BJ). Daniel olhando através dos séculos para um "tempo de angústia qual nunca houve", declara que se livrará o povo de Deus, "todos os que se encontrarem inscritos no livro" (Daniel 12:1 BJ). E João afirma que apenas entrarão na cidade de Deus aqueles cujos nomes "estão inscritos no livro da Vida do Cordeiro" (Apocalipse 21:27 BJ).

Além dos livros de registros e do livro da Vida, a Bíblia menciona "um memorial" escrito diante de Deus, no qual estão registradas as boas ações "dos que temiam o Senhor e honravam o Seu nome" (Malaquias 3:16 NVI). Suas palavras de fé, seus atos de amor, acham-se registrados no Céu. Neemias refere-se a isso quando diz: "Por isto, Deus meu, lembra-Te de mim e não apagues as beneficências que eu fiz à casa de meu Deus e para o Seu serviço." (Neemias 13:14 RA).

No "livro Memorial" de Deus, toda ação de justiça se acha imortalizada. Ali, toda tentação resistida, todo mal vencido, toda palavra de terna compaixão que foi proferida, acham-se fielmente historiados. E todo ato de sacrifício, todo sofrimento e tristeza suportados por amor de Cristo, encontram-se registrados. Diz o salmista: "Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no Teu odre; não estão elas inscritas no Teu livro?" (Salmos 56:8 RA).

Considerações Finais

"Vivemos hoje no grande dia da Expiação. No cerimonial típico [cerimonial mosaico], enquanto o sumo sacerdote fazia expiação por Israel, exigia-se de todos que afligissem a alma pelo arrependimento do pecado e pela humilhação, perante o Senhor, para não serem extirpados dentre o povo. De igual modo, todos quantos desejem ver o seu nome conservado no livro da Vida, devem, agora, nos poucos dias de graça que restam, afligir a alma diante de Deus, em tristeza pelo pecado e em arrependimento verdadeiro. Deve haver um exame de coração, profundo e fiel. (...)

Quando se encerrar a obra do juízo de investigação, o destino de todos terá sido decidido; ou para a vida, ou para a morte. O tempo da graça finaliza pouco antes do aparecimento do Senhor nas nuvens do céu. Cristo, no Apocalipse, prevendo aquele tempo, declara: 'Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda. E, eis que cedo venho, e o Meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.' (Apocalipse 22:11-12 KJV cf. Apocalipse 16:17).

Os justos e os ímpios estarão ainda a viver sobre a Terra em seu estado mortal; estarão os homens a plantar e a construir, comendo e bebendo, todos inconscientes de que a decisão final, irrevogável, foi pronunciada no santuário celestial. Antes do dilúvio, depois que Noé entrou na arca, Deus o encerrou ali, e excluiu os ímpios; mas, durante sete dias, o povo, não sabendo que seu destino se achava determinado, continuou em sua vida de descuido e de amor aos prazeres, zombando das advertências sobre o juízo iminente. 'Assim', diz o Salvador, 'será também a vinda do Filho do homem' (Mateus 24:37-42). Silenciosamente, despercebida como o ladrão à meia-noite, virá a hora decisiva que determina o destino de cada homem, sendo retraída para sempre a oferta de misericórdia ao homem culpado."8

A Bíblia descreve claramente o tribunal celestial e a hora de seu juízo. As cenas desse grande julgamento estão reveladas, tem-se:
  • O Tribunal: "Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más." (II Coríntios 5:10 NVI).
  • O Juiz: "Ó céu anuncia Sua justiça, pois o próprio Deus vai julgar." (Salmos 50:6 BJ).
  • O Promotor de Defesa: "(...) se alguém pecar, temos como advogado, junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo." (I João 2:1 BJ).
  • As Testemunhas: "Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque Eu vos afirmo que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de Meu Pai celeste." (Mateus 18:10 RA). "(...) milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dEle. (...)" (Daniel 7:10 RA).
  • As Provas: "(...) O tribunal iniciou o julgamento, e os livros foram abertos." (Daniel 7:10 NVI).
  • O Promotor de Acusação: "E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo (...) foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus." (Apocalipse 12:9-10 RA).
  • Os Réus: "Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça (...)" (Atos 17:31 NVI). "Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus." (Romanos 3:23 NVI).
A mensagem do primeiro anjo anuncia este acontecimento, e segue alertando a cada "nação, tribo, língua e povo" (Apocalipse 14:6-7).



Texto baseado em: Nisto Cremos. (2003). 7.ª ed., São Paulo: CPB, cap. 23.
Vídeo relacionado: O Santuário e o Conflito
a. Acesse: A Hora do Juízo
b. O início ou inauguração do ministério sumo sacerdotal de Cristo no santuário celestial difere do momento em que Ele iniciou a etapa de purificação do santuário (dia da Expiação).
c. Acesse: O Bode para Azazel
g. A palavra "iniquidade" utilizada em Mateus 7:23, provém do substantivo grego "anomia", que significa: desprezo, violação ou transgressão da lei. Biblicamente, "anomia" é sinônimo de pecado: "Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei [anomia], porque o pecado é a transgressão da lei [anomia]." (I João 3:4 RA).
1. Hebreus 4:14-16; Hebreus 8:1-5; Hebreus 9:11-12; I João 2:1-2.
2. WHITE, E. G. Grande Conflito, O; São Paulo: CPB, sec. III, cap. 24, p. 426.
3. Ibidem, cap. 23, p. 421.
4. WHITE, E. G. História da Redenção, São Paulo: CPB, cap. 53, p. 378.
5. "A tradição judaica durante muito tempo tem retratado o Yom Kippur [dia da Expiação] como dia de julgamento, um dia em que Deus toma assento em Seu trono e julga o mundo. Os livros de registro são abertos, todas as pessoas passam diante dEle, e os destinos são selados." Fonte: SILVERMAN, M. (1951). The Jewish Encyclopedia, Hartford, Conn.: Prayer Book Press, p. 147, 164. "O Yom Kippur traz também conforto e segurança aos crentes, pois é 'o dia em que a temerosa antecipação do julgamento vindouro finalmente cede lugar à confiante afirmação de que Deus não condena, mas perdoará abundantemente aqueles que se volvem a Ele em penitência e humildade'." Fonte: SIMPSON, W. W. (1965). Jewish Prayer and Worship, New York: Seabury Press, p. 57-58.
6. Isaías 1:17-18; Isaías 43:25-26; Ezequiel 33:12-16; Malaquias 3:16-18.
7. WHITE, E. G. Conselhos Sobre Mordomias, São Paulo: CPB, sec. V, cap. 33, p. 162. Too in: Review and Herald, 21 de julho de 1910.
8. WHITE, E. G. Grande Conflito, O; São Paulo: CPB, sec. IV, cap. 28, p. 489-490.


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